A Sociedade Brasileira de Filosofia da Educação – SOFIE e o GT 17 (Filosofia da Educação) da ANPEd, comprometidos com a formação da sociedade brasileira vem a público manifestar sua preocupação com o resultado do primeiro turno das eleições no Brasil. Conclamamos a sociedade brasileira à reflexão de algumas questões decisivas sobre as quais precisamos pensar neste segundo turno das eleições para presidência, pois o que está em jogo é o futuro das novas gerações e do próprio Brasil.
Entendemos que valores como liberdade, autonomia, ética, democracia, soberania e justiça social, tão caros à formação humana, estão sob ameaça. Também se encontram particularmente ameaçados, neste momento, nossos recursos e riquezas naturais, bem como os saberes ancestrais e a diversidade cultural.
Particularmente, a democracia brasileira, para permanecer viva, não pode limitar-se à sua dimensão representativa. Ela necessita ser sustentada por formas efetivas de participação, transformando-se em modo comunicativo de vida, o que se torna muito difícil sem a defesa da escola pública. Nesse sentido, educar é acreditar que nenhuma sociedade está condenada ao medo, ao ódio, à violência, à mentira ou à intolerância, mas que pode ter a ousadia de fazer uso de seu próprio entendimento. Diante da expansão de projetos autoritários de poder e das transformações produzidas pela concentração do poder econômico e pelas novas formas de mediação digital da vida social, formar para a capacidade de julgamento próprio torna-se uma tarefa educativa ainda mais urgente. Soma-se a isso a necessidade de pensar em comum e para o comum, o que não significa pensar o mesmo.
O Brasil que defendemos é um país democrático e soberano. Um país no qual as diferenças políticas possam existir sem transformar adversários em inimigos. Um país que respeite a Constituição, as instituições democráticas, os direitos humanos e a vontade livremente expressa pelo povo nas urnas. Um país em que o reconhecimento do outro e a solidariedade sejam mais fortes do que o ódio e a exclusão dos mais pobres e necessitados.
Defendemos o SUS, a escola e a universidade públicas socialmente referenciadas. Defendemos a ciência, a pesquisa e a liberdade de ensinar e aprender. Defendemos políticas públicas capazes de enfrentar a fome, a pobreza, a desigualdade, a falta de moradia e o embrutecimento do pensamento. Defendemos nossas florestas, nossos biomas e nossas riquezas naturais. Defendemos nossos povos e a pluralidade de nossas culturas. Defendemos uma sociedade livre do preconceito e que ninguém seja abandonado à própria sorte.
Essas conquistas pertencem ao povo brasileiro e dizem respeito a uma ideia de humanidade e de planeta fundada na pluralidade e no respeito às diferenças entre humanos e não-humanos.
Por isso, fazemos um apelo especialmente àqueles e àquelas que, no primeiro turno, não compareceram às urnas, votaram em branco, anularam seu voto ou ainda estão em dúvida: que participem deste segundo turno considerando não apenas interesses individuais, mas também as consequências de sua escolha para a democracia, para a educação pública, para os direitos sociais e para aqueles que se encontram em situação de maior vulnerabilidade.
No próximo dia 25 de outubro, não deixem que outros decidam sozinhos por você o futuro do Brasil.
A democracia não é apenas uma forma de governo. É também uma prática de convivência que exige participação, julgamento, responsabilidade e disposição para viver com aqueles que pensam diferentemente de nós.
A democracia vive quando o povo decide não abrir mão dela.
Pelo Brasil. Pela democracia. Pela educação. Pela vida.
Outubro de 2026
SOFIE e GT 17 (Filosofia da Educação) da ANPEd
